O fenómeno começou há cerca de 25 anos. Nas feiras e festas onde a Delta marcava presença com uma banca de café, as saquetas de açúcar exibiam muitas vezes mensagens alusivas ao evento. Desde então, pouco a pouco, transformaram-se num importante suporte de comunicação, hoje requisitado por autarquias, ipss, escolas, organismos estatais e promotores para ajudar a espalhar as suas mensagens.
O verso é sempre reservado à imagem da Delta Cafés (ou da Camelo), mas a frente abre portas à criatividade. Em centenas de campanhas já se celebrou Camões, se incentivou a reciclagem e se divulgaram os mais diversos eventos. Por norma, as imagens, frases ou ilustrações são sugeridas pelas próprias instituições. A definição dos volumes e distribuição das campanhas é feita por uma equipa na área de inovação produtiva, liderada por Céu Sapateiro, que se dedica a esta área há mais de 20 anos – “sempre com validação da administração”, aponta. O processo inclui a aprovação de imagens, provas impressas à escala real e um fluxo logístico adaptado às necessidades regionais ou nacionais, porque, como explica Céu: “Não faz sentido promover em Aveiro um festival gastronómico que se realiza em Olhão”.
As tiragens impressionam. Uma campanha regional pode envolver 750 mil saquetas, cada uma com quatro gramas de açúcar – o equivalente a três toneladas de sensibilização. Já uma ação de âmbito nacional pode atingir 30 toneladas de açúcar, o que equivale a 7,5 milhões de saquetas. “Em ocasiões especiais, também já se fizeram campanhas com 60 toneladas”, diz. A quantidade de açúcar, essa foi encolhendo ao longo do tempo. “Começou por ser de nove gramas, há mais de 20 anos, e foi baixando até chegarmos aos atuais quatro”.
Paralelamente, há todo um universo de colecionismo onde erros de impressão ou cortes irregulares transformam uma saqueta vulgar numa variante rara e valiosa. Os colecionadores chegam a contactar diretamente a fábrica em busca de novidades, reúnem-se em encontros nacionais e alimentam trocas, vendas e acalorados debates em plataformas digitais. Prova de que uma simples saqueta pode ser, afinal, muito mais do que um invólucro de açúcar.







